Segundo Dia de Desfile das Escolas da Série A
14/02/2018 07h00 - Michel Fernandes, Vanessa Pedra

 

O segundo dia de desfiles foi de encher os olhos. Com a apresentação de sete escolas, Unidos do Viradouro e Unidos de Padre Miguel eram as mais aguardadas.

Confira a seguir, os detalhes dos desfiles.  

ALEGRIA DA ZONA SUL

 A primeira escola a pisar na avenida no segundo dia de desfiles da série A foi a Alegria da zona Sul. As alegorias simples não deixaram a desejar e possibilitaram fácil leitura do enredo. O conjunto de fantasias segiu a mesma linha de simplicidade, que não prejudicou o acabamento bem feito dentro das possibilidades financeiras limitadas.

Destaque para o bom colorido dos carros, principalmente a boa execução da terceira alegoria. Outro ponto positivo foi a indumentária da comissão de frente, simples, e bem pensada.

O belo samba de Samir Trindade e parceiros fez os componentes cantarem forte ainda na concentração. O enredo afro rendeu um desfile honesto com alegorias e fantasias corretas, e canto forte.

SANTA CRUZ

A Acadêmicos de Santa Cruz foi a segunda escola a entrar na avenida. A escola abriu o desfile com uma alegoria que dividiu opiniões. Para alguns, uma esperança que dava início a uma provável fácil leitura de enredo. Para outros, um grilo gigante que virou meme na internet. O acabamento das alegorias, incluindo o abre-alas, de fato não tinha falhas, mas as interpretações variaram bastante. 

Depois de um ano fora da Sapucaí, Max Lopes voltou dando a impressão de querer mostrar um pouco de tudo que já fez, motivo pelo qual tornou o tema confuso, e me fez concordar com quem interpretou a esperança como um grilo gigante.

O acerto veio nas fantasias; eram simples, mas com bom colorido, bem desenhadas, permitindo o componente brincar, e sem problemas de acabamento. O intérprete Quinho, chamou a comunidade para responsabilidade que respondeu sem medo. Cantaram muito, cantaram forte, cantram com vontade, cantaram mesmo, e fizeram do samba o ponto mais alto do desfile.

VIRADOURO

Com licença, Niterói! Terei de mudar um pouquinho a letra do samba. "Foi de enlouquecer Viradouro, a cabeça desse povo! Tocou a alma, pirou os corações. Não tem explicação!" Na verdade, tem explicação sim. Edson Pereira apresentou um enredo, desenhou fantasias lindas, alegorias que contaram milimetricamente o enredo, em seguida a comunidade resolveu já na concentração entrar, cantar e sambar muito, e o setor 1 comprou tudo com sorriso largo.

São muitos destques positivos para uma escola. Indumentária da comissão de frente impecável. Abre-alas arrepiante. Primeiro casal com figurino perfeito. Acabamento de alegorias e fantasias irretocável. O intérprete Zá Paulo Sierra inspirado. Uma escola de samba, e ponto. Briga no alto da tabela por merecimento, e fim de papo.

ROCINHA

A acadêmicos da Rocinha foi a quarta escola a desfilar na segunda noite de folia. O belo samba da borboleta encantada foi um dos poucos pontos positivos. Os outros pontos fortes foram os figurinos da comissão de frente e do primeiro casal.

Mas, em grande parte do desfile, com plástica sofrível, as alegorias e fantasias destoavam bastante do que foi apresentado nos protótpos, e nem de longe lembravam o traço do carnavalesco que foi campeão na mesma série A, no ano anterior. 

Nenhum carro alegórico apresentou bom acabamento, algo inimaginável se lembrarmos de trabalhos anteriores de Marcus Ferreira. Ausência de composições em alguns "queijos". Algumas fantasias não retratavam o enredo, que pretendia apresentar a Xilogravura. Várias alas não tinham fantasias completas. A soma de tudo isso resultou num visual comprometido.

CUBANGO

A verde e branco de Niterói foi a quinta escola a entrar na avenida. A Acadêmicos do Cubango resgatou, pintou, e bordou! Que delicadeza! Que coragem! Que criatividade! Certeira, poética, leve e linda!

Apesar da montagem tensa da bateria-um diretor se desentendeu com um ritmista e o xingou-, mas logo foram apaziguados, e a escola fez seu espetáculo. A homenagem à obra de Bispo do Rosário passou pela avenida com louvor. Cada carro alegórico traduzia sem dificuldade a proposta do enredo, e com um colorido para ninguém botar defeito. Que visual! 

O conjunto de fantasias impecável, com destque para a ala das baianas que representavam a igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos. Que sensibilidade! O bom samba foi outro ponto positivo, com canto forte desde a concentração.

Uma pena o problema com o último carro. É provável que perca alguns décimos em dispersão.

INOCENTES

A caçulinha da baixada foi a sexta escola a desfilar. A Inocentes de Belford Roxo chegou cheia de vontade, mas às 02h55, depois de já iniciado o canto oficial da escola o Presidente Reginaldo Gomes interrompeu a apresentação, e pediu para que o a bateria parasse e aguardasse a liberação da Lierj para voltar a tocar. Isso aconteceu devido ao problema no último carro alegórico da Acadêmicos do Cubango. Pouco depois, a escola da baixda retomou o esquenta e proseguiu com o samba.

A comissão de frente foi sem dúvida um dos destaques positivos da escola. Com segunda pele negra, e sobre ela tecido que simulava retalho não havia nenhum brilho, pedrarias, nem nada semelhante, e ainda assim, brilharam! Com uma coreografia de passos rápidos e fortes, e indumentária simples e eficaz, os bailarinos têm tudo para levar os 40 pontos para Belford Roxo.

Outro ponto positivo foi a bateria de mestre Washington Paz; fez tudo certo para o componente sambar. A caçulinha vai incomodar e muito as irmãs mais velhas.

UNIDOS DE PADRE MIGUEL

A sétima escola a pisar na avenida foi a Unidos de Padre Miguel. A vermelha e branca da Vila Vintém encerrou os desfiles da série A.

Atrevida. Imponente. Lacradora. Poderosa. Coesa. Compenetrada. Comprometida. Aguerrida. Suntuosa. Aclamada. Pronta.

Há pelo menos uns 4 carnavais ela é cotada para ser a campeã, e é difícil verbalizar o motivo de ainda não ter sido. Neste carnaval não foi diferente. João Vitor Araújo foi contratado para realizar o carnaval de uma escola da série A, mas apresentou alegorias, adereços, e fantasias dignas do grupo especial, sem qualquer exagero. A Unidos de Padre Miguel sabe o quanto é aguardada, e faz questão de não decepcionar quem a aguarda. 

A vermelha e branca da Vila Vintém não tomou conhecimento da crise que assola o país, e dificultou a vida de muitos carnavalescos, também não se importou por estar desfilando no Sábado, e agiu como se estivesse presente no Domingo ou na Segunda. Sem medo. Sem pudor. Sem limites. Sem vergonha. Com garra. Com vigor. Com pujança. Com brios. Com abuso.

Carros alegóricos traduziam fielmente a proposta do enredo. Tarefa difícil para um tema denso, que na avenida brilhou. Acabamento primoroso, detalhado ao extremo. David Lima, acostumado a arrematar vários prêmios pode considerar a possibilidade de ao menos um, pela maquiagem da comissão de frente.

As costureiras da agremiação também merecem ser lembradas, porque o esmero com que fizeram as fantasias foi arrebatador.
A bateria da agremiação lembrou muito a da vizinha Mocidade Independente, e por isso interrompeu meu trabalho; não resisti, parei, sambei, cantei, para depois de alguns minutos voltar ao trabalho.

Jéssica e Vinicius provaram seu valor. Sem entorse no joelho, ainda na concentração alguns segundos de um bailado síncrono, leve, e hipnotizante.

Não existe campeonato na concentração, mas também não existiram falhas lá. Da linha de início em diante a escola pode ter cometido falhas, mas seguramente disputará com a Unidos do Viradouro o título da série A. O desfile que deixou no ar uma pergunta: chegou a hora?

Que os jurados deem para a melhor, o campeonato.

                                                                    

Confira as entrevistas em áudio gravadas na concentração, poucos minutos antes do início do desfile

Mestre de bateria do Acadêmicos de Santa Cruz, Riquinho

Presidente do Acadêmicos de Santa Cruz, Zezo

Esquenta e Samba Oficial Acadêmicos de Santa Cruz 2018

Presidente da Unidos do Viradouro, Marcelo Calil

Mestre de bateria da Unidos do Viradouro, Maurão

Esquenta e Samba oficial Unidos do Viradouro 2018

Presidente do Acadêmicos da Rocinha, Ronaldo Oliveira

Coreógrafo da Comissão de frente da Acadêmicos da Rocinha, Hélio Bejani

Mestre de bateria do Acadêmicos da Rocinha, Junior

Esquenta e Samba oficial do Acadêmicos da Rocinha 2018

Primeira porta-bandeira do Acadêmicos do Cubango, Thaís Romi

Esquenta e Samba oficial Acadêmicos do Cubango 2018

Coreógrafo da Comissão de frente da Inocentes de Belford Roxo, Patrick Carvalho

Mestre de bateria da Inocentes de Belford Roxo, Washington Paz

Esquenta e Samba oficial Inocentes de Belford Roxo interrompido devido a problemas com último carro alegórico da escola anterior

Discurso do Presidente da Inocentes de Belford Roxo, Reginaldo Gomes

Discurso do Presidente da Lierj, Déo Pessoa

Esquenta e Samba oficial Inocentes de Belford Roxo 2018

Mestre de bateria da Unidos de Padre Miguel

Coreógrafo da Comissão de frente da Unidos de Padre Miguel, David Lima

Esquenta e Samba Oficial Unidos de Padre Miguel 2018

                                     

FLAGRAS DA CONCENTRAÇÃO

Esquenta de bateria da Acadêmicos de Santa Cruz

Esquenta da Comissão de frente da Acadêmicos de Santa Cruz

Esquenta de bateria da Unidos do Viradouro

Esquenta de Comissão de Frente da Unidos do Viradouro

Preparação da Comissão de Frente da Acadêmicos da Rocinha

Esquenta de bateria da Acadêmicos da Rocinha

Retoque de maquiagem da Comissão de frente da Acadêmicos de Cubango

Instruções sobre deslocamento da Comissão de frente da Acadêmicos do Cubango

Esquenta de bateria da Acadêmicos do Cubango

Entrada da Comissão de frente da Acadêmicos do Cubango

Ensaio da Comissão de frente da Inocentes de Belford Roxo

Esquenta de bateria da Inocentes de Belford Roxo

Esquenta de bateria da Unidos de Padre Miguel

GALERIA DE FOTOS:

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